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SENAI
A relevância da Segurança de Alimentos no período pós pandemia

No atual momento de pandemia, a cadeia de alimentos é essencial e, por isso, não pode parar. Ao mesmo tempo, tem sido necessária a adaptação e intensificação de alguns critérios, principalmente de Boas Práticas de Fabricação (BPF), nas áreas de produção das indústrias alimentícias e demais estabelecimentos manipuladores de alimentos.

O SarS-Cov2, responsável pela pandemia em que vivemos, é um vírus de alta disseminação entre as pessoas, porém não há evidências de que possa ser transmitido por alimentos. Por isso, a maior preocupação é com a manutenção da saúde dos colaboradores desse setor, consequentemente com a preservação da vida e garantia do fornecimento de alimentos para a população.

No entanto, esses alimentos devem ser seguros para os consumidores, e essa segurança pode ser garantida com a aplicação intensificada das práticas básicas de higiene (BPF). Ao seguir os requisitos das legislações dos órgãos fiscalizadores – Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) – sobre BPF, as indústrias e serviços de alimentação evitam contaminações em seus alimentos e os mantêm inócuos.

A Anvisa “recomenda que todas as empresas da área de alimentos implementem esforços para garantia das exigências já constantes na legislação sanitária de boas práticas” e solicita contribuição ao combate da pandemia através da publicação de duas notas técnicas direcionadas às empresas de alimentos para proteção dos trabalhadores durante a pandemia da Covid-19, doença causada pelo vírus SarS-Cov2.

As Notas Técnicas são:

  • Nota Técnica 18/2020 (Covid-19 e as boas práticas de fabricação e manipulação de alimentos) – Requisitos que chamam atenção para: saúde do trabalhador; higienização das mãos; higienização do ambiente, equipamentos e utensílios; higiene e conduta pessoal; controle de matéria-prima e fluxo de produção; e transporte.
  • Nota Técnica 23/2020 (Uso de luvas e máscaras em estabelecimentos da área de alimentos no contexto do enfrentamento da Covid-19) – Aborda recomendações sobre a utilização de luvas e máscaras, e considera a não obrigatoriedade. De acordo com a nota, deve-se observar que o uso de máscara e de luvas de forma desnecessária pode gerar custos e uma falsa sensação de segurança, além de se negligenciar o ato de higienizar as mãos.

Todas essas adaptações e intensificações de requisitos nos setores de produção de alimentos tornaram o olhar mais atendo na questão de Segurança de Alimentos, o que resultou num maior apoio da equipe de controle de qualidade, sem esquecer que todos da empresa/organização são responsáveis pelos alimentos seguros, e devem saber qual o seu papel para a contribuição no programa, ferramenta ou sistema de gestão de Segurança de Alimentos.

As mudanças que estão acontecendo na cadeia de alimentos, sem dúvida, estão gerando questionamentos para o período pós pandemia. Os questionamentos giram em torno da modificação na estrutura física para melhores condições de higienização de mãos; melhoria no procedimento de higienização de instalações, equipamentos, móveis e utensílios; ou maior controle de acesso e fluxo de pessoas à fábrica e seus setores produtivos. Também é importante lembrar do uso das ferramentas digitais que se tornaram mais frequentes, desde a realização de reuniões virtuais até novas formas de comercialização dos produtos alimentícios, bem como do Plano de Gerenciamento de Crises, com foco na segurança do produto (Segurança de Alimentos).

Diante desse cenário, surgem reflexões. Esses impactos na indústria de alimentos resultarão em pessoas mais colaborativas e mais conscientes, e em mais aspectos do que a equipe de Segurança de Alimentos solicita no dia a dia?

Há de se ressaltar aqui a cultura da Segurança de Alimentos dentro dos estabelecimentos industrializadores/manipuladores uma vez que todos os que fazem a empresa também são responsáveis pelo sucesso da ferramenta utilizada para garantir o alimento inócuo.

É bem provável que a importância da produção de um alimento seguro dentro da indústria aumente após a pandemia, independente de se usar um programa básico de higiene, como BPF, ou um sistema de gestão de Segurança de Alimentos, como a Norma ISO 22000 ou a FSSC 22000. Além disso, o consumidor está passando por mudanças de opinião, inclusive tornando-se cada vez mais criterioso e rigoroso no quesito higiene.

Flavianne Maciel Pessoa

Sobre o Autor: Flavianne Maciel Pessoa

Atua nas áreas de Ciência e Tecnologia de Alimentos, com ênfase em Segurança de Alimentos e Desenvolvimento de novos produtos. Especialista em Gestão da Qualidade e Segurança de Alimentos pela Universidade de Campinas – UNICAMP, e graduada em Programa Especial de Formação Pedagógica pela Universidade Estadual do Ceará – UECE e em Engenharia de Alimentos pela Universidade Federal do Ceará – UFC. Consultora do Instituto SENAI de Tecnologia em Eletrometalmecânica do Ceará
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