*Artigo originalmente publicado no jornal O Otimista, dia 30/01/2020.">
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SENAI
A era da Internet Industrial

Na Era da Internet Industrial, a internet passou de uma ferramenta de acesso rápido à informação para um fundamento majoritário das novas tecnologias. A prova disso são as tecnologias inerentes à quarta revolução industrial, como a Internet das Coisas (Internet of Things – IoT). Nesse sentido, a era da automação industrial, marcada pela informatização de processos mecanizados e repetitivos, dá lugar a um novo tempo: a era da internet industrial, marcada por tecnologias que fazem a fusão entre sistemas de informação com sistemas de controle e automação industrial.

É fato que a era da automação permitiu à indústria não apenas crescer em produtividade, mas fincar um conceito fundamental: a valorização do tempo. Mais do que ouro, percebeu-se que o tempo vale vidas, pois, com o pulsar veloz da produção no chão de fábrica, relevantes mudanças na sociedade emergiram, como o surgimento de novas especializações técnicas, a diversificação de produtos ao consumidor final e o incentivo à cultura de segurança no trabalho.

Na era da internet industrial, a automação é impulsionada pela internet, rompendo os limites de gerenciamento dos sistemas de controle locais da fábrica para a conexão entre dados locais e outros disponíveis na nuvem. Esta conexão acarreta impactos revolucionários na relação empresa-cliente, como: customização de produtos de forma rápida e dinâmica; foco no usuário final em sua individualidade e gestão de estoque. Em verdade, os impactos da transformação digital que a internet industrial acomete são melhor dimensionados quando entendidos os conceitos de IoT e de Industrial IoT (Industrial Internet of Things – IIoT).

O conceito básico de IoT é a conexão entre milhões de dispositivos inteligentes entre si. Estes dispositivos inteligentes realizam leitura de dados do ambiente onde estão instalados, transmitem e processam tais dados através da internet e dão respostas com base nesse processamento. Essencialmente, constitui-se em uma comunicação entre máquina e usuário (machine-to-use). Entre as aplicações de IoT podem ser citadas: cidades inteligentes, monitoramento de poluição e transporte inteligente.

Quanto à indústria, uma subárea de IoT se destaca, a Industrial IoT (IIoT), cuja primícia abrange a comunicação de máquina para máquina (machineto-machine, M2M) e a comunicação de sistemas de controle e automação com sistemas de informação e processos de negócios. Entre as aplicações de IIoT tem-se o monitoramento de processos, na agricultura e em sistemas de saúde.

Segundo estudo do McKinsey Global Institute, o impacto estimado de IoT na economia global está na faixa de 4% a 11% do produto interno bruto do planeta em 2025 (algo estimado entre 3,9 e 11,1 trilhões de dólares). Para o Brasil, é estimado um impacto econômico anual em 2025 na faixa de 50 a 200 bilhões de dólares. Contudo, estudos apontam que muitos desafios técnicos do IoT ainda ecoam, como a eficiência energética de operação; o desempenho em tempo real; a interoperabilidade; a segurança e a privacidade. Estes desafios técnicos não anulam a importância do IoT, mas evidenciam sua real presença na sociedade.

Assim, conhecer a essência dessa nova era industrial implica em expandir a visão de mercado e moldar-se para o futuro vindouro. O fundador e presidente do Fórum Econômico Mundial, Klaus Swab, opina em relação a indústria 4.0: “A questão para todas as indústrias e empresas, sem exceção, não é mais ‘haverá ruptura em minha empresa? ’, mas ‘quando ocorrerá a ruptura, quanto irá demorar e como ela afetará a mim e a minha organização? ’”. Seja em startups ou em empresas com muito tempo de existência, há um consenso ascendente: adequar-se ao novo cenário tecnológico é crucial para sobrevivência no mundo dos negócios.

Miquéias Silva Araújo

Sobre o Autor: Miquéias Silva Araújo

Mestre em Engenharia Elétrica e da Computação e graduado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal do Ceará - UFC. Possui experiência em algorítimos de MPPT, Inteligência Artificial, Energia Fotovoltaica e docência em Engenharia. Atualmente trabalha com os seguintes temas: Análise de Dados e Internet of Things (IoT).
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